No decorrer da implementação e suporte ao sistema Accept, deparamo-nos por vezes com a necessidade de gerir e analisar milhares de processos estatísticos da produção de uma fábrica.
Tipicamente, esta realidade é mais prevalente em empresas do sector automóvel, porém também acontece noutros sectores, como por exemplo na área alimentar.
Qual a melhor forma de analisar milhares de processos estatísticos?
Infelizmente esta é uma pergunta que não tem uma resposta concreta, pois vai sempre depender da natureza, cultura, processos e pessoas em cada empresa.
De seguida, apresentamos três estratégias que, segundo a nossa experiência, contribuem para um melhor acompanhamento dos processos estatísticos e uma melhor e mais rápida resposta a desvios do processo.
1. Ferramentas de análise estatística em tempo real
A disponibilização de ferramentas de análise estatística, em tempo real, como as disponíveis no Sistema Accept, permitem uma análise simples e poderosa do comportamento dos processos na empresa.
Estas ferramentas, espelham a complexidade dos cálculos estatísticos em gráficos e visualizações simples de forma a facilitar e a reduzir o tempo de análise.

Figura 1: Carta de Lotes Accept - cartas de controlo SPC com sobreposição de informação de lotes e adequadas ao controlo estatístico do processo por parte dos operadores.

Figura 2: Cartas de controlo SPC em tempo real acessíveis em qualquer computador da fábrica através de um browser web.
2. Formação dos operadores de processo
A formação dos operadores de processo para o acompanhamento e deteção de desvios nos processos estatísticos é, sem dúvida, uma estratégia com elevado potencial.
Ao descentralizar este conhecimento da Direção da Qualidade, as empresas passam a contar com uma primeira linha de deteção de erros e melhoria dos processos.
Os operadores não têm que ser mestres em estatística ou formados em Qualidade. Porém devem possuir as capacidades base para analisar, visualmente, o desempenho dos processos que controlam e atuar em conformidade.

Figura 3: Acompanhamento do processo em tempo real pelos operadores produtivos.
3. Dashboards de acompanhamento
Os dashboards de acompanhamento de processos estatísticos são uma ferramenta essencial para o eficaz acompanhamento dos processos.
Para facilitar a sua análise, num primeiro nível, os dashboards devem ser simples, apenas mostrando as medidas estatísticas essenciais à rápida deteção de anomalias.
Em níveis posteriores, os dashboards devem permitir a navegação na informação, no formato drill-down, permitindo à equipa de qualidade aprofundar o conhecimento dos processos e a investigação das causas de desvio.

Figura 4: Dashboard de acompanhamento de processos estatísticos.

Figura 5: Detalhe de um processo estatístico - Estudo de capacidade e cartas de controlo SPC.
Concluindo...
Quando uma empresa tem milhares de processos estatísticos, a prioridade deverá centrar-se na deteção rápida de desvios ao normal desempenho do processo.
As hipóteses descritas anteriormente, permitem a criação de uma base de trabalho para prosseguir este objetivo. Porém, a empresa não se deverá ficar por aqui.
Por exemplo: alertas por email, relatórios/emails resumo automáticos do trabalho realizado diariamente, e/ou por turno, permitem o acompanhamento de alto-nível dos processos, garantindo que o departamento da qualidade ou produção está sempre a par do estado dos processos e eventuais desvios.
Da nossa experiência, a estratégia que mais (e mais rápidos!) resultados traz é a formação dos operadores de medição. Daqui resulta a descentralização da responsabilidade de análise e acompanhamento dos processos e o aumento do grau de envolvimento dos mesmos nos processos do dia-a-dia, constituindo, destes, um fator facilitador da comunicação com os operadores da produção.
No entanto, a empresa não se deverá centrar na implementação de apenas de uma das estratégias referidas mas sim, olhar para toda a cadeia de processo e implementar as estratégias necessárias ao controlo efetivo e eficaz do processo produtivo.

Rui Silva
Licenciado em Engenharia Informática e Comunicações, pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria.
De 2005 a 2007, participou no projeto e-U e no Leiria Região Digital do IPLeiria.
Em 2007, integra a Direção de Serviços Informáticos do IPL, como coordenador da Unidade de Planeamento e Controlo (UPC).
Em 2013, conclui a Pós-Graduação em 6 sigma ao nível de Black Belt pelo IPL e, em janeiro de 2014, integra a equipa da Sinmetro, na qualidade de Consultor Sénior em Lean/6Sigma e gestor de projetos.

